HELENA  DIB. . .

HERANÇA SENSÍVEL

A Marca oferece roupas femininas, masculinas e unissex. Uma nova forma de pensar a divisão de gêneros na moda, na qual não existe obrigatoriedade de roupas especificamente femininas ou masculinas e elas podem migrar em ambos os guarda-roupas. A liberdade de escolha é do público consumidor de se definir (ou não) e escolher as peças sem uma seleção pré estabelecida. As peças possuem modelagens amplas, porém adaptáveis através de cadarços, zíperes e amarrações e em sua maioria dispensam a classificação de gênero, uma vez que a marca respeita a escolha de cada um em escolher ser o que deseja ser. Um manifesto à liberdade de expressão sem justificativas, à liberdade de movimento e escolha sem porquês. Basta a vontade e a necessidade de usar, ser e agir. As roupas são pensadas no processo de criação como roupas. Peças únicas e individuais que serão escolhidas por pessoas também únicas e individuais que farão delas serem femininas, masculinas, ou atribuirão à ela um novo rótulo (ou não atribuirão rótulo nenhum).

Nessa coleção em específico o material TYVEK é trabalhado como forma de inauguração de um novo pensar, uma manifestação artística. No entanto, a intenção é dar continuidade às outras coleções trabalhando com tecidos tecnológicos que tragam mais conforto e mobilidade para o consumidor.

Com a visão de igualdade, a marca defende um empoderamento dos grupos marginalizados (mesmo não sendo minoria) tanto na sua rede de mão de obra, como nos ideais da marca. As questões de sustentabilidade são o pilar principal, tentando equilibrar o ambiental, o social, o político e o econômico, defendemos que essas questões não devem mais ser tratadas como um diferencial, mas como a base do trabalho de qualquer criador.

A Isósceles realiza um trabalho com a ONG Vida Ativa, terceirizando sua produção com eles à preço justo. A Vida Ativa é uma rede de reabilitação para ex dependentes químicos que, através do artesanato, reintegra os integrantes à sociedade. Os artesanatos feitos pelas mulheres da ONG, têm como matéria prima os resíduos têxteis produzidos na confecção das peças e voltam para as roupas em forma de superfície e beneficiamento. Utiliza-se de mão de obra valorizada, matérias primas recicláveis, e redução do lixo têxtil e finaliza-se o processo aplicando uma política de logística reversa consciente. Uma vez que os materiais, em sua maioria, são 100% recicláveis a marca opta por disponibilizar nos pontos de venda a troca de peças que não mais serão utilizadas por descontos. Sendo assim, as peças que iriam como lixo para aterro sanitário podem ser desmanchadas na nossa linha de produção, se transformar em novas superfícies e, em último caso, serem recicladas e voltarem a ser um tecido novo para fabricação de novas peças. 

É de grande importância para a marca conscientizar os clientes da importância de preservar o meio ambiente e os direitos humanos.

HERANÇA SENSÍVEL

COLEÇÃO INVERNO 2017

 

Herança Sensível é uma expressão através da moda perante o impacto das experiências do dia a dia. O trabalho enfoca a sensibilidade artística transmitida de pai para filho através do estudo de diferentes âmbitos, conceito estudado por Alfonso Lopez Quintas. O inicio da análise é feita através de uma observação do músico Francisco Eller, filho de Cássia Eller e do artista plástico Yugo Mabe, filho do também artista Manabu Mabe além da experiência da própria autora em relação aos seus pais. Helena Dib vê em seu pai, o dono de um galpão de coleta seletiva e reciclagem, um ídolo. E em sua mãe, artista plástica e arquiteta que utiliza das preciosidades encontradas no galpão para fazer delas objetos de arte e decoração, uma musa.

Em momentos de reflexão e auto observação, a autora percebe que assim como Francisco e Yugo, ela mesma carrega consigo a herança de ver no lixo, matéria prima para arte e para a moda.

Através do gancho da sensibilidade de encontrar possibilidades em objetos/coisas que já não têm valor, a autora faz um exercício de encontrar formas, utilidades e até mesmo soluções através de objetos achados no lixo e faz um trabalho de integração com pacientes do CRATOD - Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas - com a intenção de reintegrar pessoas que estão à margem da sociedade.

A coleção propõe uma moda que leve em consideração não só o viés estético e econômico, mas que valorize as questões ambientais, sociais e econômicas. Uma nova forma de pensar a sustentabilidade, ampliando esta para um contexto estético urbano. Através dos shapes amplos com peças que permeiam o artístico e o streetwear, a coleção traz as técnicas manuais já conhecidas sob uma visão hightech - técnicas de tapeçaria artesanal feitas com o tecido tecnológico Tyvek e aplicada de forma orgânica, brincando com as texturas irregulares, assim como vemos nas cidades. As cores fogem dos tons pastéis, tendo como base o preto e o branco e indo para um roxo aceso e um verde água vivo. Os acentos vêm num laranja ácido que trás a referência dos próprios garis. 

A inovação da coleção é, principalmente, o desafio de trabalhar com um material de alta tecnologia e difícil acesso transformando-o em roupas contemporâneas. Além disso, a confecção das roupas é feita em parceria com a ONG Vida Ativa, um CRATOD (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas) que, através do artesanato, reintegra ex-dependentes químicos na sociedade. Os pacientes integrantes da Vida Ativa trabalham com bordados e técnicas de nozinho. E, simultaneamente, estão abertos a aprender novas técnicas manuais que entram na coleção e são ensinados a eles pela autora. Os resíduos têxteis gerados na produção e confecção da peça se tornam retalhos de tecido reaproveitados para o trabalho de artesanato realizado na ONG, que volta para a coleção em forma de superfície (os artesanatos aplicados à roupa). As bijuterias da coleção são feitas a partir dos lixos gerados na produção de brindes em fábricas de acrílico. Uma solução ecológica para o descarte de tais materiais.

O projeto une identidade, estética e modernidade, questões urbanas e a moda social, ambiental, política e econômica. Ele expõe as origens da autora explorando relatos da infância e histórias que ficaram por anos guardadas apenas na memória. O trabalho visa a defesa de que a sustentabilidade deva deixar de ser um diferencial na moda e passe a ser uma obrigatoriedade de preocupação de todo criador. Utilizando de matéria prima reciclável e reutilizada, reduzindo os resíduos que possam existir durante uma cadeia de produção de roupa/produto, o trabalho considera cada etapa da cadeia têxtil atribuindo uma importância aos pilares citados (social, ambiental, político e econômico). Mescla estética diferenciada e modernidade ao transformar um tecido industrial em roupas streetwear que despertam desejo num público jovem e, simultaneamente, conscientizam o mesmo da importância de olhar para o lixo como uma solução. Somado a isso trata dessas questões (lixo) com soluções mercadológicas para reduzir o resíduo têxtil, reutilizar os retalhos da cadeia produtiva, apoiar cooperativas de reabilitação para dependentes químicos fazendo roupas que tenham caráter econômico/vendável.